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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ABUSO SEXUAL INFANTIL



É difícil para a maioria das pessoas imaginarem um adulto tendo prazer sexual com uma criança, mas a realidade que nos cerca cada vez mais está mostrando como isso é real, doloroso e deixa marcas severas na vida dos envolvidos.
Algumas das frequentes perguntas que surgem a respeito do assunto com suas respostas podem ajudar a esclarecer algumas questões sobre o abuso sexual infantil.
Definição de abuso sexual infantil
Muitos pensam que abuso sexual infantil é ter uma relação sexual completa com uma criança, mas a definição é muito mais ampla do que isso. Podemos caracterizar o abuso como: tocar a boca, genitais, bumbum, seios ou outras partes íntimas de uma criança com objetivo de satisfação dos desejos; forçar ou encorajar a criança a tocar um adulto de modo a satisfazer o desejo sexual. Fazer ou tentar fazer a criança se envolver em ato sexual. Forçar ou encorajar a criança a se envolver em atividades sexuais com outras crianças ou adultos. Expor a criança a ato sexual ou exibições com o propósito de estimulação ou gratificação sexual. Usar a criança em apresentação sexual como fotografia, brincadeira, filmagem ou dança, não importa se o material seja obsceno ou não.
As principais estatísticas que existem sobre o assunto
O número de crianças e adolescentes abusados sexualmente no Brasil é cada vez maior, mas só uma minoria apresenta queixa. Isso se dá devido ao grande trauma psicológico acarretado e também porque muitas vezes o abusador mantém algum grau de parentesco com a vítima, quando não é o próprio pai ou padrasto, o que gera medo de retaliação. As estatísticas brasileiras a respeito de abuso sexual infantil estão defasadas, faltam verbas, falta preparo de quem acolhe as denúncias, faltam mais pesquisas. Em 2008, o Disque 100 recebeu cerca de 25 mil denúncias. Em 2008, a SaferNet Brasil, uma organização de combate à pornografia infantil na internet, recebeu 42.122 denúncias sobre abuso. Assim mesmo, sem muitas estatísticas, os números são alarmantes, e têm crescido a cada ano por haver mais esclarecimento sobre o assunto, por haver mais divulgação, mas também pela maior possibilidade de acesso às crianças.
Formas que a criança pode demonstrar aos pais ou responsáveis que sofreu abuso
Os principais sinais que a criança pode mostrar e podem ser observados pelos pais, professores ou outro cuidador da criança são: conhecimento ou comportamento sexual fora do esperado. Mudanças no comportamento como perda do apetite, pesadelos, medo de dormir, se afastar das atividades rotineiras. Afastamento dos amigos. Voltar a fazer xixi na cama. Chupar o dedo. Dificuldade de concentração na escola. Medo de alguma pessoa, ou pânico de ser deixada em algum lugar ou com alguém. Comportamento agressivo ou perturbador, delinquência, fuga de casa ou prostituição. Comportamentos autoagressivos. Irritação genital ou sangramento, inchaço, dor, coceira, cortes ou arranhões na área genital, vaginal ou anal.
Qual deve ser a postura dos pais
Em primeiro lugar, não entrar em pânico. Muitas vezes, os pais já até tinham algum “pressentimento” sobre determinada pessoa, mas não deram a devida atenção à sua percepção. A criança pode ter medo de contar aos pais ou familiares, pois muitas vezes o abusador faz ameaças a ela ou aos seus queridos. Se a criança conseguir contar aos pais, atenção! Acreditem dificilmente uma criança inventa histórias dessa natureza. Conforte a criança. Explique que não foi culpa dela. A culpa é do abusador e ele fez algo muito errado. Deixe a criança saber que você sente pelo que aconteceu. Fale a ela que você vai fazer de tudo para que isso não aconteça novamente. Leve a criança e a família para um aconselhamento ou terapia. 
As principais sequelas do abuso sexual infantil e como tratá-las
As principais consequências são:
Confusão – A criança pode achar que é normal porque o abusador disse que é, mas é confuso por que ele também falou para não contar para ninguém.
Culpa – Por não ter feito nada para parar o abuso; porque às vezes podia sentir algo bom; sentia que recebia coisas especiais por fazer aquilo; acha que fez algo para que o abuso acontecesse; é tão má que mereceu o abuso.
 Medo – De ter sofrido um dano físico irreparável; de ser descoberto pelos outros; de que só de olhar para ele saberão que é mau.
Raiva – Do abusador; de si mesma, por não parar o abuso, ou por gostar; do  pai/mãe que não a protegeu de ser abusada pelo pai/mãe; pode parecer uma criança passiva e submissa, mas está explodindo por dentro; pode descarregar sua raiva maltratando animais ou crianças menores.
Perda da confiança – Nos pais; nos adultos.

Se isso aconteceu com alguma criança que você conhece, busque ajuda especializada. Leigos no assunto com frequência machucam mais do que ajudam.

Aline Gomes
Psicóloga CRP: 06/102412

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O EFEITO DO MEDO EM NOSSAS VIDAS



Algumas pessoas me perguntam se o que escrevo é dirigido para alguém em especial. O que escrevo no facebook ou no blog é primeiramente para mim mesma. Acredito que quando pensamos algo e colocamos no papel nos ouvimos com mais clareza e, nesse momento, a minha consciência (pensando em minha abordagem de trabalho: Psicologia Junguiana) se amplia sobre a pessoa que sou. É claro que sei que não somos os nossos pensamentos, mas muito do que pensamos pode influenciar a pessoa que somos. Pode não parecer, mas escrever pode ajudar e muito no processo de autoconhecimento.
Nos últimos meses, o tema que mais me chamou atenção foi o medo, isto é, o efeito do medo em nossas vidas. Quando pensamos na emoção contrária ao amor, pensamos que é a raiva, o ódio, o rancor. Mas estes sentimentos andam muito próximos do amor. Só sentimos raiva ou mágoa de quem amamos um dia. Você deve estar se perguntando onde entra o medo nessa história. O oposto do amor é o medo. O medo nos afasta daquilo de que queremos. O medo não deixa que a nossa intuição perceba qual é o próximo passo ou para onde o movimento quer nos levar. Então, sugiro que, além de desenvolver ferramentas como a coragem, ame a si mesma, ame as pessoas a sua volta. Sabendo que relacionamentos saudáveis baseiam-se em equilíbrio de valores, não questionem se haverá reconhecimento ou não, simplesmente faça o seu melhor e o melhor voltará para você.
Às vezes rápido, às vezes mais demorado, o tempo é relativo. Autoconhecimento através da psicoterapia exige esforço e disciplina, uma vez que a mudança ocorre com o tempo e de forma gradativa. Que em 2014 você seja o seu maior investimento.
Sugiro para começar o ano uma reflexão sobre este pensamento: “Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem, que lhe parecem verdadeiras. Desfaça os nós que lhe prendem àquelas que foram significativas na sua vida, mas, infelizmente, por vontade própria, deixaram de ser. Nó aperta, laço enfeita. Simples assim”.
(Caio Fernando de Abreu)

Maria de J. Machado Lima
Psicóloga CRP: 06/69459