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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

COMO LIDAR COM AS PERDAS



Todos aprendem desde criança que os seres humanos nascem, crescem se desenvolvem e morrem. Porém, a maioria não consegue lidar com a perda de uma pessoa querida. Seja pela separação ou pela morte, o fato de ter que deixar ir alguém que se ama é algo muito difícil. 
Ao longo da existência os indivíduos se apegam a coisas e a pessoas, mesmo sabendo que tudo é passageiro, parece que ignoramos o ciclo normal da vida.
É necessário saber que as perdas fazem parte da vida. Quando o ser humano nasce perde o útero materno, lugar acolhedor e protetor e para dar continuidade à vida é preciso que o cordão umbilical que liga a criança à mãe seja cortado. 
A perda traz sofrimento e o mesmo produz crescimento para o ser humano. Perder bens materiais, como carro e dinheiro, causa sentimento de tristeza, mas perder uma pessoa é ainda mais devastador.
A morte faz parte da vida, mas mesmo assim o luto é uma das fases mais difíceis de ser superada por muitas pessoas, ainda que represente uma passagem importante. As pessoas passam por um processo doloroso que envolve choque, sofrimento, medo, revolta, raiva, culpa depressão, isolamento, sintomas físicos e psicológicos de estresse, podendo até vir a adoecer. 
A recuperação de uma perda significativa pode levar até dois anos e mesmo assim pode haver aspectos não resolvidos.
Outra experiência que marca a vida de uma pessoa é o divórcio, esta perda significativa mexe com a vida de toda família. No caso dos pais, significa a perda do companheiro, dos projetos, dos sonhos, e às vezes até dos filhos. As crianças perdem o ceio familiar, o sentimento de proteção e podem perder um dos pais, quando a guarda desta fica com uma das partes. As perdas neste caso causam um grande desequilíbrio emocional para todos os envolvidos.
A perda de um ente querido faz as pessoas se sentirem impotentes diante da morte. O luto não deve ser evitado, mas aceito por ser uma consequência saudável de uma perda. As situações dolorosas faz com que as pessoas descubram em si mesmas forças que desconheciam além de fazer muitos repensarem suas vidas, valorizarem o que realmente importa e crescerem espiritual e emocionalmente. 
Exteriorizar a dor não só ajuda a superá-las como é o único canal. Quando não há a expressão comportamental coerente à realidade que estamos passando, há um grande risco de ela aparecer em sintomas físicos, podendo inclusive gerar doenças orgânicas. 
A pessoa que está passando por uma situação de perda e não consegue se recuperar procure tratamento profissional. Assim, não correrá o risco de paralisar a vida cristalizando as emoções oriundas das perdas. 


Fabiana Delvecchio
Psicóloga CRP: 06/98961

sábado, 28 de dezembro de 2013

CONTROLE PODE DIFICULTAR RELAÇÕES



Mudanças acontecem o tempo todo. Mas, apesar de tantas mudanças, o ser humano possui uma vontade quase obsessiva de controle.
O controle está presente na vida de todos nós. Talvez, pelos desafios e cobranças diárias, o homem sinta necessidade de controlar todas as situações possíveis. Porém, esse excesso pode não ser algo saudável.
Muitas pessoas sentem altos níveis de ansiedade e estresse em função da frustração diante de situações que pensavam ou planejavam controlar e não obtiveram êxito. Este comportamento pode trazer angustia e dificultar as relações.
Querer controlar tudo nos transforma em pessoas rígidas e intolerantes. As pessoas controladoras, geralmente, precisam ter o mundo ao seu redor bem estruturado e previsível, no qual passa a ser uma forma de se sentirem seguras. Porém acabam sendo escravas de seu próprio controle, pois tornam a convivência social muito difícil.
Por mais que tente o homem não vai ter controle sobre tudo. Ninguém possui o dom de adivinhar o que vai acontecer para ter o controle da situação. Podemos até achar que controlamos, mas isso é uma ilusão. Precisamos aprender a deixar a vida fluir e aprender a lidar com as situações novas e inesperadas.
Essa necessidade humana de controle pode e deve ser treinada para não interferir no dia a dia.
Ficar preso a essa questão aprisiona e acaba por engessar a tomada de decisões.
O controle é uma ilusão fabricada pelo cérebro para proteger o ser humano dos medos que sente e, muitas vezes, nem sabe de onde vem e nem se existe mesmo. Trabalhar o cérebro para não ficar escravo dessa necessidade de controlar tudo trará mais alívio para a pessoa agir e tomar decisões importantes na vida.

Fabiana Delvecchio
Psicóloga CRP: 06/98961

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LUTO



O luto é um processo que se inicia com a perda propriamente dita e se desenrola até o período de sua elaboração, quando o indivíduo enlutado volta-se, novamente, ao mundo externo. Para Freud (1916) “luto é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade, o ideal de alguém e assim por diante”.
Para a Psicanálise, desde que o luto seja superado, ele não é considerado uma condição patológica, mesmo que traga consigo grandes mudanças no estilo de vida de quem o vivencia, tal como a perda de interesse por atividades do cotidiano e pelo convívio social.  As 5 fases dos luto:

Primeira fase: Negação
               Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou a situação. Pode não acreditar na informação que está recebendo, tentar esquecê-la, não pensar nela ou ainda buscar provas ou argumentos de que ela não é a realidade.
Pensamentos: “Isso não é verdade!”; “vai passar”; “sempre dou um jeito em tudo; vou resolver isso também”.
Comportamentos: Buscar uma segunda opinião ou outras explicações para a questão; continuar se comportando como antes ignorando a situação; não aderir ao tratamento no caso de doença ou não falar sobre o assunto no caso de morte, desemprego ou traição.

Segunda fase: Raiva
Nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre. É comum o aparecimento de emoções como revolta, inveja e ressentimento. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc. como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê a situação como uma injustiça.
Pensamentos: “Por que eu?”; “Isso não é justo!”; “Por que fizeram isso comigo?”.
Comportamentos: Perde a calma quando fala sobre o assunto, recusa-se a ouvir conselhos e evita falar sobre o assunto.

Terceira Fase: Negociação
      Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes voltada para a religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo.
Pensamentos: “Vou acordar cedo todos os dias, tratar bem as pessoas, parar de beber, procurar um emprego e tudo ficará bem; vou pensar mais positivamente e tudo se resolverá; Deus deixe-me ficar bem de saúde, só até meu filho crescer (pessoa ao saber que está doente)”.
Comportamentos: Rezar e fazer um acordo com Deus; buscar agradar (no caso de uma traição); se alimentar com produtos light e diets para compensar os outros alimentos.

Quarta fase: Depressão
 Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento e que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento.
Pensamentos: “Não tenho capacidade para lidar com isso”; “nunca mais as coisas ficarão bem”, “eu me odeio”.
Comportamentos: Chorar; afastar-se das pessoas, comportar-se de maneira autodestrutiva.

Quinta fase: Aceitação
Nessa fase percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações.
Pensamentos: “Não é o fim do mundo”; “Posso superar isto”, “Posso aprender com isto e melhorar”.
Comportamentos: Buscar ajuda para resolver a situação; conversar com outros sobre o assunto, planejar estratégias para lidar com a questão.

As pessoas não passam por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas depois retornar a ela, estacionar em uma delas, sem ter avanços por longo período ou ainda suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação.
Não há regra, tudo depende do histórico de experiências da pessoa e crenças que ela tem sobre si mesma e sobre a situação em questão.
Tem pessoas que podem passar meses ou anos num vai e vem e não chegar à aceitação nunca. Tem pessoas que em poucas horas ou dias fazem todo o processo, isso varia também em função da perda sofrida pela pessoa.

Tatiane Pombo Perez
Psicóloga CRP: 06/109924

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A SABEDORIA EM DIZER "NÃO" AOS DESEJOS INFANTIS


Nos primeiros anos de vida de uma criança podemos ver algo muito curioso acontecendo: ela é puro impulso e pede a satisfação imediata de seus desejos. Por estarem nesse momento de vida, querem tudo, pedem tudo e nos questionam o tempo todo para saber se o que dizemos é mesmo para valer.
No ciclo natural de crescimento, a criança é guiada pelo seu desejo de fazer algo novo e a cada movimento vai descobrindo a vida e seus valores.
Todos nós nascemos com muitos desejos. Esta é uma característica inata de todo ser humano e faz parte do nosso desenvolvimento. É uma necessidade que sentimos de fazer algo e quando realizamos, buscamos o próximo desejo. É como se nossa existência funcionasse a partir do desejo e sua realização. Mas neste funcionamento, seguimos como eternos insatisfeitos buscando a satisfação que acontece rapidamente e logo se torna insatisfação de novo. E muitas vezes essa nossa dificuldade é transmitida as crianças.
Quando quer alguma coisa a criança sente, percebe e age. Observa a reação dos pais e se ouvir um não, insiste para testar se vão manter o que dizem.
Ao dizermos o não, normalmente, ficamos com a impressão de estar tirando algo deles. 
Realmente, tiramos as crianças do mundo do desejo instantâneo e damos a noção de tempo, que passa a existir e transforma o desejo em uma vontade. A vontade tem prazo para acontecer e ela exige uma ação.
Nosso principal desafio nestas situações é mostrar para a criança que ela suporta esperar, que sua vontade carrega em si todo esse aprendizado do tempo, da espera pela realização e o valor que este momento tem ao acontecer.
Quando a criança aprende a esperar, vive o processo de dedicação e entende que para realizar sua vontade tem um investimento de tempo, de atitude e uma razão de ser, um propósito definido. A espera pela satisfação e a crença de que vai viver algo tão esperado, torna esse momento mais prazeroso e feliz.
Essa experiência ensina o que é construir um sonho a ser realizado. A noção de que se temos um objetivo, algo que queremos muito e temos um propósito claro, nos empenhamos para este sonho tornar-se realidade.
Viver este processo é um caminho cheio de surpresas, que podemos nos envolver com cada trecho percorrido. Muitas vezes não vai acontecer no tempo e da maneira exata como gostaríamos. Talvez ao viver o sonho percebemos que ele é ainda melhor do que tínhamos imaginado ou talvez não de certo e a gente tenha que buscar um novo sonho.
Assim a gente segue na vida. Sempre colocando à nossa frente algo que nos motiva, nos faz buscar a realização e nessa jornada nos tornar uma pessoa melhor. Capaz de suportar, aprender, reparar, fazer diferente, tentar mais uma vez e mesmo assim continuar vivo!

Fabiana Delvecchio
Psicóloga CRP: 06/98961